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82% das famílias brasileiras estão endividadas: o que isso significa e como sair das dívidas

O número de famílias brasileiras endividadas voltou a bater recorde. Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), 82% das famílias tinham algum tipo de dívida em julho de 2026.

O percentual é o maior registrado pela pesquisa e mostra que o crédito continua fazendo parte do orçamento de uma parcela muito grande dos brasileiros. O dado, porém, precisa ser analisado com cuidado: estar endividado não significa necessariamente estar inadimplente.

A diferença entre esses dois conceitos é importante para entender o cenário financeiro das famílias e, principalmente, para quem está tentando organizar o próprio orçamento.

Endividamento não é a mesma coisa que inadimplência

Quando uma pessoa possui uma dívida que ainda está sendo paga dentro do prazo, ela é considerada endividada, mas não necessariamente inadimplente.

Um financiamento de veículo, uma compra parcelada ou uma fatura do cartão que será paga na data de vencimento são exemplos de compromissos financeiros que entram no conceito de endividamento.

Já a inadimplência acontece quando a dívida não é paga no prazo estabelecido.

Essa diferença explica por que os dois indicadores podem apresentar comportamentos diferentes. Em julho, enquanto o endividamento chegou a 82%, a inadimplência recuou de 29,9% para 29,8%.

Quase 1 em cada 5 famílias compromete mais da metade da renda

Um dos dados que merece atenção é o percentual de famílias que já destinam uma parcela muito elevada da renda para o pagamento de dívidas.

Segundo os dados divulgados, 19% das famílias comprometiam mais da metade da renda mensal com dívidas.

Na prática, isso significa que uma parte significativa do orçamento fica comprometida antes mesmo de despesas como alimentação, transporte, contas domésticas e outros gastos do mês.

Quanto menor a renda disponível depois do pagamento das dívidas, menor também é a capacidade da família de lidar com uma emergência financeira.

Famílias de menor renda estão entre as mais pressionadas

O problema não atinge todas as famílias da mesma maneira.

Entre os lares com renda de até três salários mínimos, o percentual de endividados chegou a 84,9%.

A diferença mostra como o acesso ao crédito pode ter pesos diferentes de acordo com a renda. Para uma família que possui maior margem financeira, uma parcela inesperada pode ser administrada com mais facilidade.

Já para quem recebe menos, uma despesa inesperada pode ser suficiente para comprometer o orçamento inteiro.

Por que o cartão de crédito merece atenção?

O cartão de crédito é uma ferramenta útil quando utilizado dentro do orçamento, mas pode se transformar rapidamente em uma fonte de problemas quando a fatura deixa de caber na renda mensal.

O Banco Central mantém dados específicos sobre as taxas cobradas no crédito rotativo. A instituição também informa que, desde 2024, os juros e encargos acumulados sobre a parcela não paga ou parcelada com juros do cartão estão limitados a 100% do valor original da dívida.

Isso não significa que o cartão tenha se tornado barato.

O crédito rotativo continua sendo uma modalidade cara e, por isso, carregar uma dívida de cartão por vários meses pode comprometer seriamente o orçamento.

Uma das primeiras medidas para quem está endividado é justamente identificar quanto está sendo pago em juros.

Como saber se a dívida está ficando perigosa?

Uma forma simples de avaliar a situação financeira é observar quanto da renda mensal já está comprometido.

Por exemplo:

Renda líquida: R$ 2.500
Parcelas e dívidas: R$ 1.000
Valor disponível: R$ 1.500

Nesse exemplo, 40% da renda já está comprometida com dívidas.

O problema aumenta quando novas compras parceladas são adicionadas sem considerar as parcelas que já existem.

Por isso, antes de contratar um novo crédito, é importante olhar não apenas o valor da parcela, mas o total que será pago e o impacto dela no orçamento dos próximos meses.

O que fazer quando as dívidas já estão acumuladas?

Quem já perdeu o controle das contas deve evitar tentar resolver o problema assumindo novas dívidas sem planejamento.

Um caminho mais seguro é organizar todas as obrigações.

1. Liste todas as dívidas

Anote:

  • Banco ou empresa;
  • Valor total;
  • Valor da parcela;
  • Quantidade de parcelas restantes;
  • Taxa de juros, quando disponível;
  • Dias de atraso;
  • Consequências do não pagamento.

Ter todos os números diante dos olhos ajuda a enxergar o problema de maneira mais objetiva.

2. Separe as dívidas por prioridade

Nem todas as dívidas têm o mesmo impacto.

Contas essenciais, dívidas com juros elevados e compromissos que podem gerar consequências mais graves devem receber atenção especial.

O objetivo não é simplesmente pagar qualquer dívida primeiro, mas descobrir onde o dinheiro está sendo mais consumido.

3. Pare de aumentar o problema

Se a renda já não é suficiente para pagar as dívidas existentes, assumir novos parcelamentos pode apenas adiar o problema.

Antes de fazer uma nova compra, pergunte:

“Eu realmente preciso disso agora?”

E, principalmente:

“Essa parcela cabe no meu orçamento mesmo se surgir uma despesa inesperada?”

4. Procure renegociar

Quando uma dívida já está atrasada, pode ser interessante procurar o credor e verificar as condições disponíveis para negociação.

O objetivo deve ser encontrar uma parcela que realmente caiba no orçamento.

Uma negociação que gera uma parcela aparentemente pequena, mas mantém a dívida por muitos anos, nem sempre é a melhor solução.

Existe ajuda para quem está tentando reorganizar as contas?

Programas de renegociação também podem ajudar determinados grupos de consumidores.

O governo, por exemplo, lançou o Desenrola Adimplentes, voltado a trabalhadores informais que atendam aos critérios definidos pelo programa. Entre as condições divulgadas estão operações de crédito pessoal não consignado, com pelo menos quatro parcelas pagas e saldo de até R$ 15 mil. A taxa máxima prevista é de 1,99% ao mês.

Isso não significa que qualquer pessoa endividada tenha acesso automaticamente ao programa. É necessário verificar se a situação se enquadra nas regras.

Juros menores podem ajudar, mas não resolvem tudo

Outro fator que merece acompanhamento é o comportamento da taxa básica de juros.

Uma redução da Selic pode, com o tempo, contribuir para diminuir o custo de algumas novas operações de crédito e facilitar determinadas renegociações.

Mas o efeito não acontece imediatamente para todas as pessoas.

Quem já possui uma dívida cara precisa analisar as condições específicas do contrato e não deve assumir que uma queda da Selic automaticamente reduzirá sua parcela.

A própria análise sobre o recorde de endividamento mostra que a redução dos juros pode ajudar gradualmente, mas não elimina o problema de famílias que já estão com grande parte da renda comprometida.

O que podemos aprender com o recorde de endividamento?

O número de 82% chama atenção, mas ele não significa que 82% das famílias estejam necessariamente com o nome negativado.

O indicador mostra que existe algum tipo de dívida ou compromisso financeiro.

Por isso, mais importante do que simplesmente evitar qualquer crédito é aprender a utilizar o crédito sem comprometer o futuro orçamento.

Uma compra parcelada pode ser administrável quando existe planejamento. O problema aparece quando várias parcelas pequenas se acumulam e passam a consumir uma parte cada vez maior da renda.

Checklist para começar a organizar sua vida financeira

Se você está preocupado com suas dívidas, comece por estas cinco perguntas:

1. Quanto eu ganho por mês?

Considere a renda líquida, ou seja, o valor que realmente chega às suas mãos.

2. Quanto pago em parcelas?

Some cartão parcelado, empréstimos, financiamentos e outras obrigações.

3. Quanto gasto com despesas essenciais?

Alimentação, aluguel, energia, água, transporte e outras despesas necessárias.

4. Quais dívidas têm os juros mais altos?

Essas merecem atenção especial.

5. Estou fazendo novas dívidas para pagar dívidas antigas?

Se a resposta for sim, é importante interromper esse ciclo e procurar uma estratégia de reorganização.

Recorde serve como alerta para as famílias

O novo recorde de endividamento mostra que o crédito continua sendo uma parte importante da vida financeira dos brasileiros.

Ao mesmo tempo, a queda da inadimplência mostra que uma parcela das famílias ainda consegue manter seus compromissos em dia, mesmo com o orçamento pressionado.

Para o consumidor, a principal lição é não olhar apenas para o valor da parcela.

Antes de contratar um empréstimo, financiamento ou compra parcelada, é necessário avaliar o custo total, os juros e o impacto daquela dívida sobre a renda futura.

Organizar as contas antes que elas se transformem em atraso pode ser muito mais fácil do que tentar recuperar o orçamento depois que várias dívidas já se acumularam.

Perguntas frequentes

Estar endividado significa estar com o nome sujo?

Não. Uma pessoa pode ter financiamento, cartão ou compras parceladas e continuar pagando tudo em dia.

Qual é a diferença entre endividamento e inadimplência?

Endividamento significa possuir compromissos financeiros. Inadimplência ocorre quando uma dívida não é paga dentro do prazo.

O cartão de crédito pode aumentar o endividamento?

Sim. Principalmente quando a pessoa utiliza o cartão acima da capacidade de pagamento ou começa a acumular parcelamentos.

O que fazer primeiro quando existem várias dívidas?

Comece listando todas elas, seus juros, valores e prazos. Depois, avalie quais estão causando maior impacto no orçamento e procure opções de negociação.

Renegociar uma dívida sempre vale a pena?

Não necessariamente. É preciso comparar o custo total da negociação, a taxa de juros e o prazo antes de aceitar uma proposta.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui uma avaliação financeira individual.

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